segunda-feira, 17 de agosto de 2009

Viva la revolución! - Sessão Recuerdos I

(Publicado em julho de 2002)


Gisele Bündchen bate palmas para pedir pão velho

São Paulo Fashion Week contou com a derradeira prova da derrota de Che Guevara.

"Che Bündchen!!"

Gisele Bündchen foi capturada na Colômbia após emboscada sobre seu agrupamento de guerrilheiras, conhecido por estampar a cara de Che Guevara nas bundas das combatentes.

Bündchen foi rendida pelo exército local e covardemente executada, após uma longa caçada humana que chegou a envolver o auxílio de agentes imperialistas da CIA, envolvidos com o Plano Colômbia.



' Tadinha.



Enquanto isso, no São Paulo Fashion Week, realizado entre os dias 15 e 20 de julho, Che desfilou ao lado de Fidel e outros "compañeros guerrilleros, pero muy fashion".

(Publicado em julho de 2002)

Plano de ação

O Plano de Ação do Partido da Baixaria Nacional, eixo e guia do ideário pebenista, consiste na tomada do poder pela baixaria, através de métodos ilegais, irregulares ou ilícitos, parindo o primeiro fruto das rochas que servirão de base a uma nova era da história da humanidade: uma tremenda putaria.

Até a conclusão de tal feito, continuarão em prática as práticas práticas secundárias de ação pebenista que, entre outras delongas, visam a conscientização das massas, churrascos e caipirinhas da força descomunal da baixaria deslavada.

Após larapiado o sistema, todos os meios de produção, riquezas e pobrezas do país serão confiscados, e redistribuídos igualmente apenas entre os membros do partido. Por isso, filie-se ao PBN, o partido que faz falta, gol de canela, rouba a taça e solta rojão.

Família, cachorro, gato, galinha!

Segundo reportagem do jornal O Estado de São Paulo, João Fernando Sarney (neto do presidente do Senado, José Sarney, e contratado como assessor parlamentar da Casa Legislativa), aparece em gravações da Polícia Federal negociando com Fernando Sarney (filho do presidente do Senado, José Sarney, e pai do assessor parlamentar contratado pela Casa Legislativa, João Fernando Sarney), pedindo pra comprar um carro. O pai de João Fernando Sarney, Fernando Sarney (pai do assessor parlamentar contratado pelo Senado e filho de José Sarney, presidente do Senado), respondeu que ele já recebia R$ 7 mil do Senado e mais R$ 5 mil de mesada.

"Ai, meu orifício!"

Infelizmente, tal notícia coincidiu com um momento de insanidade de nosso líder, o presidente de honra e desonras do Partido da Baixaria Nacional, Embair Furtado, que insistia em desistir dos planos baixaristas de ação para a tomada do poder. "Eu quero é ser assessor parlamentar contratado pelo Senado e filho de Fernando Sarney, pai do assessor contratado pela Casa Legislativa, José Fernando Sarney. Pôxa, uma soma de R$ 12 mil por mês equivale a R$ 400,00 por dia, ou R$ 16,00 por hora, incluindo horas de sono. Com dezesseis cobres, eu como bastante no almoço, pra me esquecer do jantar...", cantarolou o pebenista. "E ainda tomo cinco cervejas e recebo troco de volta. Só nessa brincadeira eu já gasto algumas boas horas..."

Ciente disso, o PBN, ao tomar o poder, reduzirá, por força de lei, a mesada dos funcionários do Legislativo, para que os mesmos se sintam impossibilitados de comprar um carro. Ao mesmo tempo, fará a compra de uma frota de automóveis a ser disponibilizada pelo Congresso. Esta frota contará com condutores contratados entre familiares, amigos e agregados de cada um dos beneficiados. Isso irá garantir que qualquer assunto pebenístico discutido dentro de um veículo automotor seja ouvido apenas por motoristas já conhecidos de casa, que não falarão pelos cotovelos, sob o risco de serem deserdados e, por consequência, demitidos. Da mesma forma, os baixaristas bêbados não voltarão para casa dirigindo seus veículos após cada rodada alcoólica, podendo dormir no banco de trás sabendo que chegarão ilesos às suas residências.

A nobre medida não só resguardará a segurança no trânsito como garantirá a estabilidade desta instituição abençoada por Zeus, a família brasileira. Por isso, filie-se e vote no PBN, o partido que cochila no ônibus, viaja no coletivo, perde o ponto, passa embaixo da catraca e desce fora de mão.

Truco, ladrão! e sua história

História de putas e labutas. A rapadura é doce mas não é dura. O ato contra a pindaíba. Mão na cabeça, que eu não tiro o meu chapéu. Mão no chapéu pra que ele não caia, tiro na cabeça pra que a baixaria se renda. Balaço de sabão, lavagem cerebral. Desde que os membros das fileiras pebenistas tragam seus próprios garfos. Todo mundo tá feliz? Hilariê sacana. Declaradamente pilantra e assumidamente contraditório. Partido da Baixaria Nacional, o partido que se vende, mas não se entrega.

Papo de bêbado: puta história mal contada!

Opinião pública

Depois do relator da Câmara dos deputados, Sérgio Moraes (PTB-RS), dizer se "lixar" para a opinião pública, o presidente do Conselho de Ética do Senado, Paulo Duque (PMDB-RJ), encarregado de analisar cinco processos contra o senador José Sarney (PMDB-AP), também explicita seu desejo de ingressar nas fileiras pebenistas.

"Pô, eu também quero fazer parte dessa bagaça!"
Jonas Pereira/Agência Senado

Paulo Duque ironizou as cobranças por uma atuação isenta na presidência do Conselho. "Quem faz opinião pública são os jornais, tanto que eles estão acabando. A opinião pública bota 100 mil pessoas para ver a Madonna no Maracanã, o Roberto Carlos."

A alta cúpula pebenista se mostra preocupada com tais declarações. O empresário, produtor de eventos e presidente do Partido da Baixaria Nacional, Embair Furtado, em entrevista coletiva, analisou a sentença do senador: "Segundo este parlamentar, os jornais fazem a opinião pública. Então o povo brasileiro ficará desprovido de opinião assim que os jornais fecharem de vez as portas, já que esses mesmos jornais 'estão acabando'. Por outro lado, a opinião pública leva 100 mil pessoas ao Maracanã para ver a Madonna e o Roberto Carlos. Mas se o público ficar sem opinião, ficaremos deficitários no campo dos eventos musicais populares de grande porte. Que merda! Apesar da música ser uma bosta, a Madonna é uma panela velha em quem eu daria uma comida boa..."

Embair Furtado negou qualquer interesse em preservar os shows de Roberto Carlos. Mas Madonna recebeu um convite formal para comandar o futuro ministério da saúde do governo pebenista. "E que saúde! Vai opinar assim lá em casa...", complementou o presidente da baixaria.

Dúvidas, copos e garrafas

Orelhas redondas de rato, foices e martelos, curvas de refrigerante, "M"s de hambúrgueres, "A"s narquistas, janelinhas e maçãs de computadores, listras e estrelas, cores, formas e muita sagacidade.

O Partido da Baixaria Nacional também se dá o direito de criar seus próprios e respeitosos símbolos, associando sua sempre imutável e indubitável confiabilidade ao que o identifica e aos associados do Partido.

Temos o selo. Lambido, será estampado na testa dos adeptos da baixaria, incisivo feito um código de barras. O usuário da imagem pebenista será inserido na segurança que só a âncora da picaretagem da baixaria oferece.

Em breve, estarão disponíveis as novas bandeiras pebenistas oficiais, com as colagens de nossos novos patrocinadores, responsáveis por nossa sobrevida.

Fora, Barney!

Um grupo de estudantes de Brasília realizou um protesto no congresso nacional contra o presidente do senado, José Sarney, envolvido no escândalo da edição de atos secretos que, entre outras delongas, tratava da contratação sigilosa de parentes e afilhados políticos do peemedebista. Cada manifestante vestia uma camiseta com uma letra pintada, formando a frase "FORA SARNEY". O estudante com a letra "S" estampada no peito foi barrado por seguranças.

Fontes seguras afirmam que, provavelmente, o manifestante portando a letra "S" no peito foi barrado por ter sido confundido com um super-herói conhecido. Um segurança que pediu pra não ser identificado rechaçou esta informação: "Absurdo! O sujeito vestia a cueca por baixo das calças. Eu sei, porque eu vi!"

Joedson Alves/Folha Imagem

Tal contratempo confundiu muitos transeuntes dentro do legislativo, que pensaram tratar-se de uma manifestação contra o famoso "Barney", este grande dinossauro da política brasileira, que já deveria estar extinto, mas continua com aquilo roxo.

"Eu não sabia", declarou o parlamentar,
citando Luís Jurássico Fóssil da Silva.

Os seguranças do senado, com dificuldades para expulsar os manisfestantes da casa, demonstraram sua irritação com provocações. Um deles chegou a afirmar que, nas próximas eleições, vota em Sarney até para presidente da República.

Ciente disso, o Partido da Baixaria Nacional, ao tomar o poder, abrirá concurso público para atores profissionais que deverão ser contratados especialmente para simular protestos contra a alta cúpula baixarista. Tais atos, por fim, serão convertidos em um sem fim de votos para os candidatos pebenistas.

"Se, no Brasil, político pego com a boca na botija às vésperas de eleição ganha votos a rodo, imagina o que será do PBN, que é a baixaria instituída sem recesso ou ato secreto", declarou Embair Furtado, presidente do PBN. À baixaria, o que é da baixaria, no peito e na raça, com orgulho e ostentação", completou o líder da bancada baixarista, peidando ruidosamente e inspirando profundamente

Manifesto Baixarista

Introdução - Um fantasma ronda o bairro - o fantasma da baixaria. Todas as impotências do velho mais cansado esvaem-se numa santa lembrança: raparigas vistosas, conversas de boteco, Dietrich e Bardot, noitadas suburbanas, mas a polícia fazendo revistas.

Que prego em sinuca de bico não foi acusado de baixaria por seus adversários no poder? Que pinguço descontrolado, por sua vez, não lançou a seus adversários socos no ar de direita ou de esquerda à alcunha infame de baixaria?

Duas conclusões decorrem desse fato: 1.°) A baixaria já é reconhecida como força por todos os bares da rua. 2.°) É tempo de os baixaristas exporem, à face do mundo inteiro, seu modo de ver, seus fins e suas tendências, opondo um manifesto do próprio partido à lenda do espectro da baixaria. Com este fim, reuniram-se baixaristas de vários naipes e redigiram o manifesto seguinte, que não será publicado, mas bebido, papagaiado e confraternizado em esperanto de língua enrolada.

O assunto sempre acabará no meio da cerveja. A cerveja sempre acabará no meio do assunto.

Baixaristas de todo o mundo: a saideira, por favor!