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quinta-feira, 27 de agosto de 2009

Regra três

Ligou?

Vai somando.

Em 3 de julho de 2007, Joaquim Roriz (PMDB-DF) renunciou ao cargo de senador, após acusações de corrupção, pressão e influência sobre liberação de recursos do Banco de Brasília (BRB) e participação direta em uma quadrilha voltada ao desvio de verbas públicas. A "Operação Aquarela", de 19 de julho de 2007, envolveu a Polícia Civil, a Receita Federal e o Ministério Público.

Somou?

A posse do suplente de Roriz, Gim Argello, estava então marcada para o dia 17 do mês seguinte. No mesmo dia, um documento de impedimento foi protocolado no Senado por conta de várias acusações sobre crime eleitoral, a serem julgadas pelo Tribunal Superior Eleitoral. À época, outras denúncias contra Roriz ainda pipocavam pela imprensa, como a de suborno a juízes do Tribunal Regional Eleitoral, para amansar os processos contra ele relacionados às eleições de 2006.

Quanto deu?

Com a renúncia, Joaquim Roriz escapou de um processo por quebra de decoro parlamentar no Conselho de Ética. O processo apenas o tornaria inelegível até 2022. Roriz estaria safo se renunciasse antes de ser notificado pelo conselho. O então presidente do colegiado, Leomar Quintanilha (PMDB-TO), disse que notificaria na quinta-feira, a tempo de Roriz encaminhar a carta de renúncia no dia anterior.

"São por essas razões que sou obrigado a tomar [essa decisão], por respeito ao povo do Distrito Federal. Prefiro acreditar na grandeza que se pode colher quem vive os fatos da história."
--- Joaquim Roriz, em julho de 2007


Corta!


(pausa)


Roosewelt Pinheiros/AE"Nossos comerciais, por favor!"


Ação!


Segundo pesquisa Band/Vox Populi, realizada entre os dias 31 de julho e três de agosto de 2009, Joaquim Roriz é o preferido entre os eleitores do Distrito Federal para assumir o governo local. Roriz lidera com 39%, seguido pelo atual governador, José Roberto Arruda (DEM), com 37%. Numa simulação em que o candidato petista é trocado (Geraldo Magela por Agnelo Queiroz), somado à inclusão de Maria Abadia (PSDB) no embate, Roriz alcança 40%, seguido por Arruda, com 36%. Sem Maria Abadia, Roriz chega aos 41%; José Arruda ainda em segundo, com 36%. Trocando o candidato do DEM (José Roberto Arruda por Paulo Octávio), o petista Queiroz assume a segunda posição com 15%, enquanto Joaquim Roriz arrebata 47%.

(risos em off da platéia)

"E o que estamos fazendo aqui parados neste buteco, fazendo fiado na cerveja, no torresmo e no cigarro? Vamos tomar o poder, que o bicho é loco, e o povo clama por nós, bando de bunda mole!", esbravejou Embair Furtado, presidente do Partido da Baixaria Nacional, erigindo os ânimos das fileiras pebenistas, com o punho em riste e pensando tratar-se a si mesmo de um novo messias, que não comete milagres, mas compreende os efeitos dos fenômenos cuja causa escapa à razão humana. "Nem te conto do porre que tomei ontem, ninguém botou uma fé. Foi algo que 'ultrapassa o poder da natureza e a previsão dos espectadores'", concluiu o guia baixarista, citando o tal do São Tomás.

segunda-feira, 17 de agosto de 2009

Conselho de ética: sabor que alimenta!

No último dia 11, um grupo de estudantes protestou no Senado contra o arquivamento de 12 ações no Conselho de Ética: onze contra o Presidente da casa, José Sarney (PMDB-AP) e uma contra Renan Calheiros (PMDB-AL). A intenção dos manifestantes era entregar, de uma só vez, 12 caixas de pizza ao presidente do Conselho, Paulo Duque (PMDB-RJ), mas os estudantes foram expulsos do prédio do Senado sem que a dúzia de pizzas chegasse ao destino.

Nota: nem contaram os arquivamentos relacionados ao Arthur Virgílio (PSDB-AM), no dia seguinte.

"Questão de ordem! Questão de ordem!"

Ciente disso, o Partido da Baixaria Nacional, ao tomar o poder, permitirá o arquivamento de ações, representações, reclamações, tretas e outras pelejas, no Conselho de Ética, da Estética, da Moral, entre outros, por parte de qualquer cidadão comum. Tal medida visa o revigorar da participação do eleitorado brasileiro na vida política do nosso pardieiro varonil, assim como a democratização das instituições federais. A mesma medida, por outro lado, extinguirá da face do país a mazela da fome. "Eu já arquivei umas vinte reclamações dos vizinhos por conta do som alto em minha residência", afirmou o presidente do PBN, Embair Furtado. "Comprei a cerveja, geladinha no congelador, o jogo na TV já começa daqui a pouco... e até agora não chegou nenhuma pizza aqui em casa, pô! Acho que certas propostas pebenistas de governo precisam de reformulações profundas, porque o meu estômago está é roncando..."

Vem cá que eu vou te dar um conselho...

Nove entre dez estrelas do cinema usam o sabonete PBN para lavar a bunda.
Sete entre dez membros do Conselho de Ética do Senado têm o rabo preso.

Do presidente aos suplentes. Nepotismo, contratação de funcionários-fantasmas, atos secretos, desvio de dinheiro público, envolvimento em inquéritos autorizados pelo Supremo Tribunal Federal, ameaças de retaliação se alguém abrir a boca sem a intenção de apenas bocejar, e o encargo de julgar os pedidos de abertura de processo contra o presidente do Senado, José Sarney.

Ciente disso, o Partido da Baixaria Nacional, ao tomar o poder, assumirá total controle do Conselho de Ética, do Conselho de Estética, de Poética, da Patética, da Smurfética, do Conselho da Moral, do Conselho dos Bons Costumes, da cidade pernambucana de Bom Conselho, do Conselho Regional de Técnicos em Degustação de Petiscos Aniversariantes, do Conselho da Metafísica Baixarista, entre outros conselhos (que, se fossem bons, não seriam dados, mas vendidos) para que, finalmente, em prol do orgulho da classe pebenista do nosso Brasil varonil, tenhamos a total totalidade de baixaristas legítimos no supracitado colegiado. Todos juntos, vamos, bando de bunda mole, rumo ao 100%!

Por isso, filie-se ao PBN, o partido que dá conselho, emite juízo, emputece a arbitragem e desregra a putaria.

Foi ele que começou!!!

- Muito bem. Quê que aconteceu?
- Ó.

O PSDB entrou com três representações no Conselho de Ética contra o presidente do Senado, o José Sarney (PMDB-AP). Uma por uso irregular de recursos da Petrobrás na Fundação Sarney, outra pelos atos secretos e mais outra por conta de um neto dele atuando no mercado de crédito consignado da Casa. Depois do que os tucanos fizeram, o Renan Calheiros (PMDB-AL) disse que o PMDB pode fazer o mesmo contra o senador Arthur Virgílio (PSDB-AM), que contratou funcionário-fantasma e recebeu empréstimos do Agaciel Maia, acusado de chefiar um esquema de corrupção nos contratos terceirizados do Senado. O mesmo ataque ia também contra outros nomes, do tipo do Tasso Jereissati (PSDB-CE), que desviou verbas de passagens aéreas pra uso particular.

Embair Furtado (PBN-BR), esbravejou: "Ô, molecada! Vâmo pará com essa bagunça aí atrás, porra!! Ah, se eu tivesse trazido a minha cinta, eles iam ver só..."

Arthur Virgílio prometeu devolver o dinheiro embolsado pelo funcionário do além (R$ 210 mil) em quatro prestações, sem juros. Sarney, com a base aliada, tem dois terços das cadeiras do Conselho de Ética (incluindo o presidente do Conselho, encarregado de aceitar ou não a representação contra o congressista), o que barra qualquer possibilidade de processo por quebra de decoro parlamentar. Embair Furtado, presidente do Partido da Baixaria Nacional, vestiu o chinelo e finalmente sentou-se em sua poltrona preferida. "Agora sim, muito bem, muito bonito. Se ficarem quietinhos, vão ganhar sobremesa e comer pizza no jantar."

Se contrariar, o PBN faz birra.
E a baixaria faz bico.


Ciente disso, o Partido da Baixaria Nacional, ao tomar o poder, relegará exemplarmente a um castigo exemplar tais exemplos medonhos de falta de educação baixarista, coisa de amadores, e introduzirá nos anais e vaginais da política nacional, com a sutileza que somente a legítima qualificação pebenística é capaz de atribuir, toda a rigidez da putaria desenvolvida e maturada longamente ao longo de longos anos nos parlamentos botequísticos brasileiros, de pouca vergonha na cara e muita baixaria de rastro. Por isso, filie-se e vote no PBN, o partido que faz birra, bate o pé, abre o berreiro e mama nas teta.

Opinião pública

Depois do relator da Câmara dos deputados, Sérgio Moraes (PTB-RS), dizer se "lixar" para a opinião pública, o presidente do Conselho de Ética do Senado, Paulo Duque (PMDB-RJ), encarregado de analisar cinco processos contra o senador José Sarney (PMDB-AP), também explicita seu desejo de ingressar nas fileiras pebenistas.

"Pô, eu também quero fazer parte dessa bagaça!"
Jonas Pereira/Agência Senado

Paulo Duque ironizou as cobranças por uma atuação isenta na presidência do Conselho. "Quem faz opinião pública são os jornais, tanto que eles estão acabando. A opinião pública bota 100 mil pessoas para ver a Madonna no Maracanã, o Roberto Carlos."

A alta cúpula pebenista se mostra preocupada com tais declarações. O empresário, produtor de eventos e presidente do Partido da Baixaria Nacional, Embair Furtado, em entrevista coletiva, analisou a sentença do senador: "Segundo este parlamentar, os jornais fazem a opinião pública. Então o povo brasileiro ficará desprovido de opinião assim que os jornais fecharem de vez as portas, já que esses mesmos jornais 'estão acabando'. Por outro lado, a opinião pública leva 100 mil pessoas ao Maracanã para ver a Madonna e o Roberto Carlos. Mas se o público ficar sem opinião, ficaremos deficitários no campo dos eventos musicais populares de grande porte. Que merda! Apesar da música ser uma bosta, a Madonna é uma panela velha em quem eu daria uma comida boa..."

Embair Furtado negou qualquer interesse em preservar os shows de Roberto Carlos. Mas Madonna recebeu um convite formal para comandar o futuro ministério da saúde do governo pebenista. "E que saúde! Vai opinar assim lá em casa...", complementou o presidente da baixaria.